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Vitamina D e Exercício

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14 de Março de 2017 Sem Comentários

A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel obtida através da luz solar (90% é sintetizada na pele humana pela radiação UV-B) e de fontes alimentares (10%). Está disponível em duas formas, a vitamina D2 e a vitamina D3. A primeira só pode ser obtida através da alimentação e é denominada ergosterol. Já a vitamina D3 pode ser obtida tanto na alimentação como pela exposição solar. Caso seja obtida através da alimentação, é ingerida na forma de colecalciferol, pronta a ser transformada na sua forma final de vitamina D. Quando é produzida na pele, a sua primeira forma é um precursor denominado 7-dehidrocolesterol, produzido tanto na derme como na epiderme. Este é transformado primeiramente em pré- vitamina D e finalmente em colecalciferol, semelhante ao ingerido na alimentação.

Na alimentação, a vitamina D pode ser encontrada em alimentos de origem animal como óleo de fígado de bacalhau (400- 1000UI por colher de chá), peixes gordos (salmão, sardinha, cavala e atum) que podem ter entre 100- 1000UI por 100 gramas de alimento, gema de ovo (20UI por gema) e cogumelos shitake que se forem secos ao sol podem atingir valores de 1600UI por 100 gramas de alimento.

O corpo humano possui a capacidade de produzir vitamina D a partir da ação dos raios ultravioleta sob a pele. Após poucos minutos de exposição solar, a pele produz quantidades que excedem facilmente as fontes alimentares. Alguns fatores podem influenciar a absorção da radiação UVB, comprometendo a mineralização óssea. O uso habitual de protetor solar por si só pode reduzir a produção de vitamina D até 95%, dependendo do fator de proteção. Também a proteção solar natural da pele, ou seja, a melanina reduz a capacidade que esta tem de sintetizar o colecalciferol. Indivíduos com pele mais escura podem requerer até cinco vezes mais tempo de exposição solar para obter níveis de vitamina D semelhantes aos obtidos por caucasianos. O tempo de exposição solar varia conforme as estações do ano. A exposição solar no verão deve ser de 10 a 20 minutos, na primavera de 15 a 30 mintos e no inverno de 20 a 60 minutos.

A carência dessa vitamina é bastante comum e prejudicial uma vez que tem importante papel no fortalecimento do sistema imunológico, ósseo e estado de humor. Para além da sua importância na população em geral, a vitamina D parece desempenhar um papel importante no contexto desportivo.

Os níveis séricos de 25(OH)D parecem estar relacionados a diversos aspetos que afetam o desempenho físico e composição corporal em atletas e não-atletas de todas as idades. Recentemente tem vindo a ser colocada a hipótese de uma necessidade acrescida nos atletas por forma a suprir carências e otimizar o rendimento desportivo. As carências de vitamina D parecem ter consequências assinaláveis no desempenho desportivo. Não apenas pelo fato de os atletas possuírem, de forma geral, necessidades nutricionais acrescidas, mas também porque a carência de vitamina D exerce um efeito negativo na saúde músculo-esquelética, comprometendo o desempenho físico e a qualidade de vida. Sabe-se que a vitamina D contribui para a manutenção das células músculo-esqueléticas, sendo que a sua carência parece agravar o desgaste muscular, provocando sarcopenia. Esta patologia aumenta a probabilidade da ocorrência de lesões musculares, devido á consequente redução da quantidade e qualidade das fibras musculares. Além disso estes fenómenos ocorrem nas fibras tipo II, que são responsáveis pelos movimentos rápidos e de tipo explosivo.

Estudos recentes em atletas verificaram que aqueles que tinham adequados níveis de vitamina D obtiveram aumento da capacidade aeróbica, aumento muscular, aumento na produção de força e da velocidade de recuperação pós-exercício.

No aspeto de recuperação muscular, verificou-se em estudos que concentrações maiores de 25(OH)D antes do exercício poderiam influenciar na recuperação da força do músculo esquelético depois de uma sessão de exercício intenso. Também verificou-se uma melhor resposta anti-inflamatória ao dano muscular em desportistas com o consumo adequado dessa vitamina. Ainda na questão de resposta inflamatória e imunológica, foi estudado a relação da ocorrência de doenças de trato respiratório superior e vitamina D em atletas. Essa relação é menor em atletas com níveis ótimos de vitamina D.

Dada a importância da vitamina D, qualquer que seja o atleta ou pessoa, deve ter em consideração o seu consumo como forma de assegurar o funcionamento correto dos músculos, nervos, coagulação do sangue, crescimento celular e utilização de energia. A falta dessa vitamina pode revelar- se num declínio de desempenho tanto a nível desportivo como vital pois o nosso organismo está comprometido à sua presença.


Julien Sartori - atleta e nutricionista.

Licenciada e graduada em Nutrição, trabalha na área Desportiva.


Referências

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